O mercado produz cada vez mais artistas. A maior parte desiste no meio do caminho, após sucessivas tentativas de inserção em um cenário cada vez mais concorrido. Poucos conseguem viver de sua música ou ao menos pagar seus investimentos.
O que pode estar por trás disso?
Da parte dos músicos, respostas não faltam. TV e Rádio privilegiam poucos estilos, vivemos em um país que marginaliza a música, enfim… Cada resposta possui seu fundo de verdade, mas, eu gostaria de te convidar a pensar comigo: Essas são mesmo razões únicas e decisivas? De longe, eu não acredito.
Se fossem, não teríamos artistas logrando êxito de forma totalmente independente sem contar com sorte ou um empurrãozinho de alguém influente. Existem fatores que podem estar contribuindo pra que muita gente (e gente com muito talento) não consiga construir uma carreira sólida e sustentável.
Dos muitos pontos, listei os 7 mais comuns que tenho observado lidando com milhares de músicos através do Palco Digital.
1 – Crença limitante
A maneira de se construir uma carreira mudou junto com o mercado e você já deve ter ouvido isso. Mas, é importante que a maneira de pensar esse mercado (corretamente) esteja forte dentro de você.
Esqueça TV, Rádio, esqueça as pesquisas que mostram que o estilo A ou B é o mais popular do momento. Esse pensamento “Old School” é uma crença limitante. Você não depende de um conglomerado de empresas de mídia para construir uma carreira hoje. Você não precisa aparecer em mídias de massa, liberte-se desse pensamento. A internet quebrou isso quando te apresentou diretamente para o público. Não sei se você consegue avaliar o quanto isto é poderoso. O poder das grandes gravadoras estava exatamente em ter um exclusivo canal de comunicação e vendas com o consumidor.
A internet entregou isso a você, mas, não adianta agir empolgado com as novas possibilidades. É preciso encarar sua música como um negócio.
2 – Mentalidade Empreendedora
Esse é o calcanhar de Aquiles da geração que nasceu um pouco antes da internet, viveu o final da “era das gravadoras” e acompanhou a transição para o mercado atual. “Com grandes poderes, vem grandes responsabilidades“, já dizia o tio do Homem Aranha. 🙂
Com este acesso integral ao público, o mercado se capilarizou e destruiu a forma linear de se ganhar dinheiro com música. Aquele tripé “tenha muito talento, grave um disco e faça sucesso”, não existe mais. Esqueça contar com toda uma estrutura industrial pronta e se preocupar apenas com o trabalho artístico.
O mercado evoluiu e exige que você também evolua. Não há espaço para músicos “assalariados”. Sua música é o seu negócio, sua carreira é uma empresa e você é o gestor!
Isso mesmo, você é uma startup, uma pequena empresa. Essa precisa ser sua mentalidade. E como empresário, sua preocupação precisa ser criar produtos que gerem receita de forma recorrente e mantenham sua engrenagem rodando sem defeitos. Você precisa empreender sua música. Quando você pensa dessa forma, as reclamações sobre a “cena musical” vão diminuir.
Um músico que empreende sua carreira, enxerga oportunidades que outros jamais enxergarão. Isso o faz desenvolver um plano de negócios que possui metas a curto, médio e longo prazo, bem como o faz mapear todos os tipos de cenários futuros que podem impactar positiva ou negativamente sua atividade. Com isso em mãos ele se prepara para crescer de forma sustentável, sem depender de terceiros.
3 – Você NÃO precisa de um investidor
“Uma banda não precisa de um investidor, ela precisa de bons produtos“. Frase de Shawn Grunberger, fundador do BandCamp. Se você considera ter um investidor como parte vital da construção de uma carreira, você pode estar caindo na velha tônica de ter uma gravadora para conseguir êxito. Entregar a um terceiro a tarefa de crescer seu trabalho não é a melhor escolha. Focar em construir produtos sólidos é a forma mais demorada, árdua, porém, a que te entrega o objetivo final com qualidade. É proibido ter um investidor? Não. Mas, imagine começar uma empresa, devendo a alguém? Prefira sempre estar no “azul”, principalmente vivendo no Brasil.
4 – Engajamento e Receita: A dupla dinâmica
Junte um grupo de pessoas em torno da sua música e construa um mercado lucrativo. Você está notando o crescimento de sua base de fãs? As respostas à sua comunicação são constantes? Está se formando uma comunidade em volta do seu trabalho? Bingo, você criou uma bela oportunidade para começar a monetizar sua carreira. Da mesma forma que essas pessoas são responsivas à sua música, elas serão a seus produtos. Pra isso, é preciso criar um modelo de negócios que gere essa receita nesse ambiente de engajamento.
5 – Forme seu time: Cerque-se de pessoas complementares
Você é uma pessoa, não conseguirá fazer tudo sozinho. Procure pessoas que acreditem no seu trabalho e queiram participar dele como colaboradores. Dependendo de sua qualidade, você atrairá o interesse de pessoas que te ajudarão pelo simples fato de acreditar (e amar) o seu trabalho. A vantagem de se trabalhar com música é essa, você estabelece uma conexão com o público com mais força do que qualquer área de atuação. Esse time, que hoje te acompanha na época das “vacas magras” deverá ser valorizado depois.
Como você pode identificar essas pessoas? Procure dentre aquelas que mais se comunicam com você, deixam comentários, respostas e e-mails. Analise seus perfis e veja como poderiam somar. Depois, proponha uma parceria. Você irá se surpreender.
6 – Você é quem as pessoas percebem, não o que acha que é
Você pode ter uma imagem bem definida e saber exatamente o que quer fazer, onde vai fazer. Mas, nem sempre isso é indicador definitivo. O que gera o resultado final não é quem você pensa que é, mas o que as pessoas enxergam vendo você. Jamais passaria pela cabeça da banda Utopia, fazer o rock escrachado dos Mamonas Assassinas e viver disso. Não estava no “radar” deles.
Mas era exatamente isso o que o público enxergava de mais valor. Procure perceber as características artísticas que mais trazem resposta do seu público. Procure ouvir o seu público. Se essas características diferem do seu trabalho, é uma boa hora para discutir se realmente vale a pena persistir nesta linha ou mudar.
7 – Tenha um propósito
Viver de música precisa ser mais do que fazer o que gosta e receber por isso. Música transcende o plano concreto. Música é propósito. Quando você encara esse business, dessa forma, o pensamento gira em torno de impactar pessoas para algo maior. Não, você não quer mudar o mundo nem plantar a semente do amor no coração das pessoas. Mas, eu acredito que de alguma maneira, você queira acrescentar algo à vida das pessoas que vão interagir com você. Quando você foca nisso, você tem um propósito, você tem uma missão. Isso irá te mover até o fim e será o combustível necessário para jamais desistir. Músicos com propósitos são indestrutíveis.
Atendo de perto músicos independentes desconhecidos da grande massa. Gente que você nunca ouviu falar mas, possuem uma carreira ascendente em seus nichos. Alguns deles, inseri nesse post falando sobre como um músico independente pode conseguir mais shows.
Conheça a fundo esses artistas, visite seus canais e veja como eles gerem suas carreiras. Tenho certeza que essa experiência vai te ajudar.
Acredito sinceramente que há espaço pra todos. Não em todos os lugares, mas, cada um no seu lugar.
Quando enxergamos desta forma, a distância desse longo percurso diminui.


Excelente matéria Vinicius. Precisamos mesmo filtrar informações e direcionar a trajetória musical desse pais. Parabéns!
todos os textos são de grande valor.. parabéns
Obrigado Charles!
Caramba, belo texto!
Obrigado Josimar!