4 momentos em que você deve negar o convite pra um show

Escrito por Vinicius Soares

Pode parecer louco falar em negar shows, principalmente sendo essa uma das principais fontes de renda de um artista. Mas, o fato é que assim como nem tudo o que reluz é ouro, nem toda porta aberta te leva ao lugar desejado.

Muitas vezes, dizer não pode ser mais importante do que aceitar fazer uma apresentação.

Quando evitar?

1 – Quando o contratante ou a casa tem uma reputação ruim

Antes de qualquer coisa, procure conhecer quem são as pessoas envolvidas nessa GIG e como o lugar é conhecido pelo público local. Vou compartilhar uma experiência com você: Uma banda que atendi de perto havia recebido um convite tentador para tocar em uma casa de shows fora de sua cidade por um cachê praticamente irrecusável. Ao buscar na internet informações sobre o promotor do evento, tiveram uma enorme surpresa: O cara estava sendo procurado pela polícia por estelionato e lavagem de dinheiro.

Óbvio que sabendo disso, a banda recusou o convite.  Um mês depois ficamos sabendo que todos os artistas que se apresentaram no estabelecimento naquele ano foram indiciados e iriam responder criminalmente também.

A internet é capaz de te entregar muitas informações. Não ignore isso.

2 – Quando o cachê não compensa

Já ouvi muitos justificarem tocar em eventos por um cachê que não pagava sequer seu transporte, alegando que “seria melhor do que tocar em casa sozinho”. Claro, um palco te dá experiências que você jamais irá reproduzir no seu quarto e o “olho a olho” com o público definitivamente forma a personalidade artística de um músico.

Sei também que existem oportunidades em que apenas sua exposição é um ótimo pagamento, mas sinceramente, você pode contar nos dedos. É possível sim fazer shows e ter experiências memoráveis sendo pago de forma justa. Falo sobre esse tema com exemplos reais no post abaixo, se você quiser se aprofundar.

[Post] Por que você não consegue fazer shows profissionais

3 – Quando você está saturando o mercado local

Quando um músico começa a agradar um público local, é natural que receba convites para tocar em eventos mais próximos. Por não ter um contrato de exclusividade, esse artista normalmente acaba sendo alvo da concorrência. Isso é bom e ruim. Bom, pelo fato de termos aqui um indicador de popularidade, o que o levará a ser conhecido por mais pessoas além de proporcionar o aumento do seu cachê. O lado ruim é que aparecer demais, nos mesmos lugares, fazendo a mesma música, vai cansar esse público.

E você começa a perceber isso quando, com o tempo, essa audiência cai. Não poderia existir nada pior.

A dica aqui é o bom senso. Varie. Use sua exposição para atrair oportunidades em locais mais distantes, aproveite esse momento de popularidade para abocanhar outros mercados. Se for possível, mantenha uma frequência de shows equilibrada. Pense no longo prazo.



4 – Quando você não está preparado

Não falo aqui apenas de ter uma banda ensaiada e capacitada para executar com perfeição as canções. Falo sobre atingir o objetivo de uma GIG, entreter, saber construir durante sua apresentação uma curva emocional que proporcione bem estar, energia e celebração a quem estiver ali te ouvindo.

Construir o repertório adequado, interagir, saber criar momentos de pausa, tudo isso faz parte do pacote que o seu show precisa oferecer. Se você não sabe como fazer isso é melhor estudar um pouco mais e praticar para não queimar o seu filme.

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Sobre o autor

Vinicius Soares

Vinicius Soares é músico, compositor e empreendedor. Está à frente da Palco Digital, agência de consultoria para músicos independentes e realiza palestras pelo Brasil com foco em planejamento de carreira musical.

Ganhou o Prêmio Profissionais da Música, um dos maiores reconhecimentos da categoria e mantém uma comunidade online com mais de 50.000 músicos brasileiros e estrangeiros.

Uma de suas principais atividades é compartilhar conhecimento e experiência sobre geração de receita no mercado musical através das novas tecnologias, tema que já ajudou diretamente mais de 2.000 músicos e compositores através de seus treinamentos on line.

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