Como transformar sua música em uma experiência inesquecível e lucrativa

Escrito por Vinicius Soares

Não sei se você já passou por isto, mas, lembra daquela sua banda favorita, que você escuta e vê desde a infância? Depois de ouvir todas as músicas, de assistir diversos shows em casa, é natural que você queira ir a um show ao vivo e se for possível, receber um autógrafo do membro que você mais admira.

Após conhecer e se identificar com o trabalho artístico dessa banda, você naturalmente tem sede de uma nova EXPERIÊNCIA, correto?

Essa necessidade de interagir pessoalmente com o artista tem estado cada vez mais latente principalmente agora, em tempos de internet. Nunca vimos o ser humano tão ligado às relações virtuais. Esse novo comportamento tem criado ambientes de separação física quase imperceptíveis. Você nota isso quando diz que é amigo de alguém que conheceu na internet, mas,  nunca teve contato pessoalmente. Mesmo sem perceber, a alma humana pede pelo contato social, clama pela aproximação pessoal que a internet muitas vezes a faz esquecer.

Esse anseio está gerando um novo mercado. Artistas estão percebendo que uma interação pessoal com o seu público é muito mais valorizada do que uma ação puramente virtual ou alheia. O mercado das experiências é uma boa oportunidade para atender o anseio do público, aquecer o relacionamento e monetizar sua carreira.

OK, mas o que é esse mercado?

Imagine ao invés de vender ingressos pra um show comum, trabalhar pesado para comercializar um passaporte de uma viagem de 5 dias. Nesta viagem, seus fãs irão ter um contato pessoal com você. Os inscritos se hospedarão no mesmo lugar. Você promoverá conversas em roda ao anoitecer, contando histórias pessoais, experiências que viveu e nunca antes foram reveladas. Como você é uma banda, alguns integrantes ministrarão workshops de música enquanto outros darão aulas de surf para os inscritos.

Loucura? A banda americana Switchfoot está fazendo. Eles criaram o Summer Getaway, uma verdadeira imersão de 5 dias. Nesse período,  fãs terão a oportunidade de se tornarem verdadeiros amigos íntimos do grupo. Uma experiência inesquecível que custa 1.329 dólares por pessoa e é limitada a 200 participantes.

summer



Uma outra experiência que gerou um produto para o Switchfoot foi trazer seus fãs para assistirem shows em cima do palco. Você acredita que eles criaram uma edição limitada de ingressos para fãs acompanharem alguns shows de sua turnê no backstage com a VIP Tour Experience? E como isso deu certo…

O Oficina G3 criou o DNA G3. Um dia inteiro de interação pessoal com a banda, workshops e apresentações de caráter inédito. Shows exclusivos, limitados, que custam pelo menos o dobro do valor de uma apresentação convencional.

Assisti um Workshop com o cantor Leoni, em que ele contava como gerar experiências com o público tem sido poderoso pra ele. Ao lançar a campanha de financiamento coletivo de seu disco “Notícias de Mim”, ele viu as recompensas mais caras se esgotarem poucos dias depois. Nelas, ele oferecia um jantar no seu sítio e uma tarde de música e conversa. Não era o preço do CD, que ele diz ter vendido menos de 300 com o crowdfunding. Custava pelo menos R$ 400 cada.

Ok Vinicius, mas, como encaixar isso na realidade independente?

O conceito você já entendeu, correto?

Um exemplo real: A banda independente “Apanhador Só” montou um show chamado “Na sala de estar”. Literalmente, uma turnê feita na casa de seus próprios fãs. A turnê por si só é uma experiência e foi financiada pelos fãs, que contribuíram com mais de R$ 100.000 para o projeto. Os shows acontecem em todo o Brasil, nas salas de estar dos fãs com direito a bate papo e muita interação. Você pode ver a meta alcançada, aqui.

Agora, alguns insights: Se você possui uma base de fãs (ainda que pequena), crie produtos que estimulem experiências sociais. Adicione à galeria da sua loja virtual, por exemplo, um jantar em um restaurante interessante com os fãs. Se você tiver uma visão empreendedora, pode contatar esse restaurante e combinar um grande desconto para um número X de pessoas, o que vai baratear o preço e aumentar ainda mais sua margem de lucro.

Ou quem sabe uma aula de alguma habilidade que você domina e é de interesse do seu público? (Lembra da aula de surf do Switchfoot?). Enfim, dê asas à sua imaginação e crie produtos que não pareçam produtos. Crie experiências que se vendam por si só, oferecendo o que o público mais deseja: O contato direto com seu artista preferido.

Você verá que isso será interessante financeiramente e em longo prazo, produzirá uma base de fãs mais aquecida e comprometida com sua causa.

Fica a dica.

Sobre o autor

Vinicius Soares

Vinicius Soares é músico, compositor e empreendedor. Está à frente da Palco Digital, agência de consultoria para músicos independentes e realiza palestras pelo Brasil com foco em planejamento de carreira musical.

Ganhou o Prêmio Profissionais da Música, um dos maiores reconhecimentos da categoria e mantém uma comunidade online com mais de 50.000 músicos brasileiros e estrangeiros.

Uma de suas principais atividades é compartilhar conhecimento e experiência sobre geração de receita no mercado musical através das novas tecnologias, tema que já ajudou diretamente mais de 2.000 músicos e compositores através de seus treinamentos on line.

2 Comentários

  • Sensacional…e sempre foi isso !!! Experiências, mas era de outra forma, era mais velado e escondido. Com essa proximidade, até os grandes tiveram que sair da caixa..Boa. Vini..

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