Muitas bandas (e músicos em geral) talvez não fazem ideia (ou não dão a devida importância) de que o “digital” não é apenas uma porta de divulgação. Ele está formando um público consumidor que irá definir quem ficará ou sairá do mercado da música.
Pode parecer uma notícia terrível e para quem não se adaptar a esse novo modelo, realmente é. Se você está começando a sentir uma diminuição nos seus resultados como artista, acredite, não é coincidência, são reflexos de que o seu posicionamento como artista não faz mais efeito para esse novo público e sua carreira pode estar em uma curva de declínio.
Não adianta colocar a culpa no país, na cena. O fato é que todos os mercados estão se reinventando, procurando novos modelos de negócios pois descobriram que aquele que paga suas contas no final do mês não pensa, age e reage como a 10 anos atrás. Pasme você, nem como a 5 anos atrás. O ouvinte de música mudou e continua mudando.
Se você parou no tempo, preciso te alertar: Sua carreira pode simplesmente desaparecer em poucos anos. Não é blefe. Entenda o porquê:
1 – A música digital está começando seu processo de maturação
Veja abaixo os gráficos de crescimento de dois serviços de streaming, Spotify e Apple Music:

É fato que as pessoas estão buscando ouvir música através de players de streaming. O que talvez você não tenha percebido é que, por trás desses números há uma mudança brutal de comportamento. Como você sabe, não existem prateleiras físicas na venda virtual. Não existe um “jabá” capaz de “viralizar” um single nesses serviços, muito pelo contrário. O Spotify por exemplo possui uma playlist chamada “As 50 mais virais” que constantemente destaca artistas independentes seguindo o apelo popular.
Ao mesmo tempo, o número de artistas que concorrem pela atenção desse mesmo público, cresce na proporção. Em 2011 esse mesmo Spotify havia dito que teria indicadores de crescimento mais maduros em 5 anos. Em 2016, o serviço atingiu 30 milhões de assinantes.
Já é possível notar que, apesar de continuar mudando, o mercado de música digital está começando a amadurecer. Se você não distribui sua música para serviços de streaming, deveria. Daqui a 5 anos pode ser tarde demais.
2 – “Estar na internet” não acrescenta nada. Criar experiências, sim.
Eu ainda ouço músicos dizendo que “é preciso estar na internet”. Esse tempo acabou. Hoje, criar experiências capazes de conectar pessoas à sua música é o que vale. São milhões de artistas, vozes, pra um público cada vez mais distraído com Netflix, You Tube, Whatsapp, Games… No final das contas, não sobra tempo (e cérebro) para assimilar tudo. Pergunte a alguém quais os seus 10 artistas preferidos e ele conseguirá eleger no máximo 5. Esses 5 são os que estão mais próximos, oferecendo conteúdo pessoal e interativo na rede social favorita. Esses 5 irão monetizar sua carreira enquanto os demais, não. Aliás, isso já está acontecendo.
3- Você perdeu o “timing” e não previu o comportamento do seu público
Pessoas são diferentes, mas se comportam de maneira muito parecida quando estão em grupos. Aliás, esse é um indicador estatístico usado em pesquisas quantitativas e qualitativas. Hoje, com a internet, é possível acessar ferramentas que conseguem reunir dados comportamentais do público de qualquer artista, são os chamados programas de Big Data. Com essas informações é possível, por exemplo, saber se a sua música mantém a curva de popularidade nos próximos anos ou, se ela tende a cair. Tudo baseado no comportamento de quem acessou seus canais na internet.
Você não precisa contratar o instituto IBOPE pra isso. Mas, sem ter um histórico digital que mostre sua interação com as pessoas, sem um conteúdo capaz de atrair público, fica impossível medir.
Saber esse tipo de informação é o que fará artistas se reinventarem, mantendo suas atividades de forma saudável e lucrativa.
Não é questão de se atualizar. É questão de sobreviver.
Saber se posicionar na internet nunca foi tão importante. E tudo indica que sempre será.

