Minha resposta é direta: Sim.
Vivemos no mundo dos superlativos, infelizmente.
A internet tem ajudado a popularizar a ideia de “quanto maior o número, maior o resultado”. Ledo engano.
Quando o conceito da Cauda Longa nasceu, ficou provado o real poder que existe em se atender a necessidade de pequenos grupos, antes, esquecidos por todo mundo.
Pra você entender, enquanto em 2000 a mídia de massa repercutia o samba, existiam músicos falando com jovens através da recém chegada internet, fazendo pequenos shows e criando um ambiente alternativo, fora do contexto da massa, cultivando a mesma visão, comportamentos e linguagem.
Estavam lá Fresno, NXZero, Dead Fish, Glória e tantas outras bandas desconhecidas usando o Myspace, o You Tube de hoje. Não se falava em milhões de views ou acessos, o Brasil estava engatinhando no acesso à internet.
Os poucos fãs que se viram atendidos pelos seus trabalhos, retribuíram com tanto “barulho” que ficou impossível não perceber o potencial comercial daquele movimento. O resto da história você conhece…
Se voltarmos alguns anos antes, na era pré internet, podemos falar do Grunge como exemplo. Pearl Jam, Nirvana, Alice in Chains, mesmo de forma inconsciente, atenderam um nicho super específico que no “boca a boca”, chamou a atenção de toda uma indústria.
Posso falar das bandas do norte do Brasil que trouxeram ritmos regionais como o Calypso…
O que quero dizer é o seguinte: Não procure atrair milhões de pessoas para o seu trabalho. Traga o público certo.
Quem é o público certo
São admiradores da sua música, mas, que enxergam em você uma causa comum a eles. Se você faz um tipo de som fora do contexto popular, por si só pode despertar o interesse de um público que sente falta do seu tipo de música e principalmente, da sua atitude corajosa de remar contra a maré cultural vigente, por exemplo.
Essas pessoas estão perto, mas, a maioria não percebe. Comentam seus posts, seus vídeos, e fazem isso de forma apaixonada.
Você não pode tratar esse tipo de pessoa como um ouvinte curioso qualquer. Aí entra a palavra chave disso tudo: segmentação.
Identifique os Curiosos, Fãs e Super Fãs
Existem três categorias de pessoas entrando em contato com seu material: curiosos, fãs e superfãs:
Curiosos: Ouvem a música sem um envolvimento mais profundo.
Fãs: Ouvem a música, procuram conhecer mais de perto e divulgam espontaneamente.
Superfãs: Ouvem a música, procuram conhecer mais de perto, divulgam espontaneamente e se colocam à disposição para ampliar seu alcance.
Separe Fãs e Superfãs: Trate-os de forma particular
Quando você identifica esses dois grupos de pessoas, deve entregar a eles a primazia, ou seja, o melhor. Vai gravar um disco? Mostre com EXCLUSIVIDADE o processo de composição a eles. Divida trechos de músicas inéditas e deixe claro que APENAS ELES terão acesso. Demonstre a importância que eles possuem pra você.
Quando isso acontece, não fica difícil ter o apoio que você precisa, tanto para divulgação quanto para a estrutura do seu próprio trabalho.
Fãs e superfãs MONETIZAM SEU TRABALHO
Ninguém compra CD hoje em dia, mas, fãs de um artista não possuem a menor dificuldade em colocar a mão no bolso e pagar por uma peça exclusiva sua, mesmo que ela seja um CD. Eu costumo brincar dizendo que o fã compra o CD para ter na prateleira, mas, ouve o artista no streaming (risos).
Quer um exemplo:
O André Peloso, músico instrumental e meu aluno no curso Palco Digital tem pouco mais de 300 fãs.

Com essa base, que pra muitos é super pequena ele conseguiu o apoio financeiro para gravar seu disco. Foram mais de R$ 15.000 arrecadados pelos fãs na sua campanha de financiamento coletivo:

Eu pessoalmente já vi artistas consagrados pela mídia não levantarem 30% do que o André conseguiu em um crowdfunding.
Qual o segredo? Trabalho estratégico direcionado a quem vai retornar à sua carreira. Simples assim.
Espero que você tenha conseguido enxergar a importância de não atentar para números e métricas isoladas, que fora de um contexto de planejamento, não significam ABSOLUTAMENTE NADA.
Há chances de um músico desconhecido fazer a sua cena, construir o seu público e ter o retorno que merece.
Se você quiser se aprofundar mais, lancei a versão 4 do meu treinamento, o Palco Digital. Já passaram por ele mais de 2.000 músicos de todo o Brasil e exterior que hoje formam uma comunidade muito unida.
Se ainda estivermos com vagas abertas, será um prazer te ter junto.
[ Clique aqui para conhecer o curso Palco Digital 4.0 ]
Um forte abraço,


Bárbaro!