O período digital tem se estabelecido como o mais democrático da história. É a era do “faça você mesmo”, “compartilhe suas ideias”, “dê de graça”, em prol da mobilização, do engajamento. Essa última expressão, “dar de graça” tem sido uma atitude corrente entre milhões de músicos independentes que incentivam com louvor a distribuição grátis de música como forma de publicidade. Isto seria muito positivo se você músico já tivesse um nome construído no mercado. Afinal, quem já é conhecido vende. E dar algo apenas aumenta sua reputação. Mas se você se enquadra no grupo dos desconhecidos, os resultados não são animadores.
Pode parecer “old school” e contraditório esse comentário, ainda mais vindo de alguém que fala tanto em oferecer algo de graça , relevante e de valor para atrair público e iniciar um relacionamento com ele, mas não é. Quando um músico desconhecido distribui sem custos uma “degustação” do seu trabalho, ele está sendo inteligente, estratégico. Porém, se você presenteia o público com 100% de sua obra a custo zero, você errou e feio por pelo menos 6 motivos:
1 – Você está educando seu público a não comprar NADA de você
Já esteve em um mercado onde durante anos você comprou um determinado tipo de produto sempre pelo mesmo preço e de repente aquele produto tem seu valor aumentado? Sua reação é das duas uma: Ou você paga mais caro porque ama demais aquela marca ou procura outro parecido, mais barato. A última é mais recorrente. O ser humano é por natureza um comparador, busca a melhor vantagem. Quando você oferece TODO seu material de graça é isto o que acaba sendo incentivado. Dificilmente você irá conseguir vender algo para um público que sempre recebeu de você tudo de graça. E se sua intenção é viver de música saiba que você vai precisar captar recursos de todas as formas possíveis com seu trabalho.
2 – Sua música dificilmente vai se tornar viral
A esperança da maioria que compartilha de graça todo o seu material é que ele chegue a uma pessoa influenciadora, capaz de gerar muito mais exposição ao trabalho através de uma cadeia de relacionamento. Isso era mais fácil de acontecer há 10 anos atrás, quando a internet era menos capilar. Hoje com a infinidade de público, existem mais pessoas com menos conexões do que o contrário. Logo, a probabilidade de você tornar viral sua música desta forma é muito pequena, quase zero.
3 – Você está atraindo CURIOSOS e não FÃS
Experimente dar qualquer coisa de graça, qualquer coisa. Anuncie isto e veja como você irá reunir pessoas de todos os tipos para adquirir o que você está prometendo. Nem todas estas pessoas realmente gostam ou precisam do objeto que está sendo dado, mas por ser gratuito, elas querem. O ser humano é ganancioso no bom sentido da palavra, ter algo a custo zero sempre o atrai, mesmo que ele depois de um dia de uso jogue fora e esqueça aquilo que ele recebeu. Quer medir o grau de interesse futuro de uma pessoa pela sua carreira? Peça algo em troca da sua música. Nem sempre o valor está no dinheiro. Um e-mail, por exemplo, pode valer muito mais.
4 – Você está DESVALORIZANDO seu trabalho
Dependendo de sua região, uma produção musical de qualidade com os descontos possíveis pode custar entre R$ 20.000 e R$ 40.000 (ou mais). Imagine “empacotar” todo esse trabalho e oferecer “de graça” pra um público que provavelmente vai lhe descartar após escutar a segunda faixa do seu álbum?
5 – Você está deixando de GANHAR DINHEIRO
Se hoje vivêssemos a época em que o Napster era rei, o título desse artigo seria outro. Eu vivi parte dessa história que não contava com a monetização em cima da música digital. Hoje, os serviços de Streaming arrecadam de consumidores que preferem gerar sua própria Playlist ao invés de baixar uma música. De pouco em pouco o download gratuito está perdendo terreno para a audição de músicas em sequência.
6 – Você está perdendo a oportunidade de criar uma base de fãs
Vale a pena ressaltar um detalhe: Quando você cede seu material em troca de um relacionamento com seu público, você vendeu seu trabalho. Considere o ato de “dar” seu material em troca do e-mail de seu público, por exemplo, como uma venda. Formar uma lista de contatos com e-mails de pessoas que baixaram um álbum ou uma música sua de “de graça” é um ativo valiosíssimo! Cultivar o relacionamento por e-mail com pessoas que se interessaram pela sua música é começar a formar a sua base de fãs, o seu grupo de apoiadores que, se nutrido de uma comunicação eficaz, será seu braço direito ao longo da carreira. Não há dinheiro que pague isto.
Logo, se você desejar “dar” algo a seu público, peça uma recompensa em troca. Se você acha que este público não pagará com dinheiro, peça seu contato. Com o tempo você verá que isto vale mais e não custará nada a quem for te “pagar”.


Olá Vinicius e colegas, atualmente uso o bandcamp, lá posso configurar algumas músicas para serem baixadas free mas o sistema pede o email da pessoa. O que eu vejo é que a facilidade de ouvir a música online pode tirar um pouco a necessidade de baixar o audio, a não ser se a pessoa for um Super fã, seguimos na jornada! obrigado pelo artigo!
Excelente site, conheci agora e irei me aprofundar.
Gostaria de fazer algumas perguntas, você não acha que todas as músicas já estao disponiveis pra download? Há meios e mais meios de pegar qualquer música do YouTube, por exemplo, e que um artista novo corre o risco de perder o alcance de suas músicas e limitando-as, já que pra um artista consagrado ja é difícil o fã coçar o bolso, quanto mais pra alguém que ele acabou de conhecer, um cara que acabou de lançar seu trabalho, e se tivesse de fácil acesso iria baixar e divulgar formal e informalmente o som. Dai ou ele nao compra e nao ouve ou usa de metodos “ilegais de download”
Valeu!
Willian, o download é inevitável, mas como relato no texto, o músico precisa estar posicionado para monetizar essa prática. Isso acontece no You Tube que é uma porta de receita pouco usada e por isso não são poucos os que deixam muito dinheiro na mesa. Um abraço!
Excelente artigo Vinicius. Também acredito que tudo é questão de trabalhar um novo comportamento de consumo com o público. A tecnologia na indústria fonográfica já está bem desenvolvida. O download ilegal aos poucos deixa de fazer sentido.
Abraço!
Obrigado Fernando!
Salve Vinícius bom dia sempre pensei pra frente e sempre CD defendi a tese que a arte deve ser vendida. Tanto que após lançar meu disco fiz questão de fazê lo original e com todos os direitos autorais para poder então comercializa lo em um valor justo tendo um produto de qualidade, gostaria de saber como faço para disponibiliza lo nas redes sociais e lucrar com isso aguardo resposta paz.
Você pode procurar empresas que distribuam a sua música de forma digital.
A ONErpm é uma das principais atuantes no Brasil.
Procure dar uma olhada no site.
Obrigado pelo comentário! Sobre dicas para divulgação, criei uma série de 4 vídeos, um minicurso sobre Marketing Musical gratuito. Ao lado desse post ou na parte superior do site, entre com seu e-mail e você será direcionado ao conteúdo. Um abraço!
Muito Bom Vinicius, seu trabalho é exemplar e muito efetivo.
Um abraço!
Obrigado Victor!
Bacana demais seu artigo Vinícius. Como faço pra registrar uma música minha? Abraço.
Cássio, veja neste links as instruções http://bit.ly/1AjafmN
Um abraço e obrigado pelo comentário!
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Um abraço e obrigado pelo comentário!
Camarada Vinicius, o que você acha da iniciativa de artistas como Criolo ou Mallu disponibilizarem seus discos completos no YouTube?
César, para artistas conhecidos o download abraça o efeito da publicidade, uma vez que eles já possuem uma imagem construída e embalada como produto.
Sem contar que grandes nomes são monetizados pelos views no Youtube também.
Exatamente! 🙂
Camarada Vinicius, o que você acha da iniciativa de artistas como Criolo ou Mallu disponibilizarem seus discos completos no YouTube?
César, para artistas conhecidos o download abraça o efeito da publicidade, uma vez que eles já possuem uma imagem construída e embalada como produto.