O sonho de todo músico que possui um emprego em paralelo à sua atividade artística é focar 100% na sua arte. Se você possui esse perfil, sabe bem disso.
Porém, a visão romântica do “viver de música” se contrasta com a realidade dos compromissos financeiros. Não é porque você agora tem 100% do tempo para se dedicar à música que naturalmente, quase que por osmose, ela irá retribuir suas expectativas de renda. É preciso ter um olhar calcado no planejamento para não se frustrar por antecipar (para a hora errada) um momento que teria tudo para dar certo.
Antes de tomar essa decisão, pense:
1) Você já possui um modelo de renda recorrente?
Por que você está em um emprego? Porque sabe que no início de cada mês irá receber uma quantia como salário. Essa recorrência te atraiu e te motivou a doar 8 horas do seu dia para uma atividade. Você não está nessa contando com a sorte, esperando por algo que possa acontecer, se tudo correr bem. Existe um plano, uma meta para todo santo mês, o dinheiro cair na sua conta.
Você possui um modelo de renda recorrente para sua carreira?
Se sua resposta é não, certamente você pode se dar mal largando o emprego.
2) Você sabe que vai precisar fazer o que não gosta?
Não, você não vai apenas tocar, compor, gravar, arrisco dizer que a maior parte do tempo suas atribuições serão outras. É sério. Se você está pensando em deixar seu trabalho acreditando que irá colocar a mão na massa para fazer apenas aquilo que gosta, errou feio.
A administração da carreira será sua. O marketing também. O networking idem. O plano de negócios será criado por você. Pelo menos no começo, para tocar essas atividades essenciais você terá que investir muitas e muitas horas por dia. Odeia isso? Não faz diferença, precisa ser feito.
Você vai fazer muita coisa que certamente não te trará o menor prazer. Porém, fará tudo isso sabendo que no final, o que você mais ama ganhará com isso.
3) Sabe Identificar Atividades Complementares à Sua Carreira?
Lembra do ítem 1? Para construir uma receita recorrente, certamente você vai precisar ter fontes de receita variadas que nem sempre falam diretamente com sua carreira autoral. Imagine ter a meta de fechar o mês com uma renda de R$ 4.000, mas, entre shows, venda de merch e atividades correlacionadas, você consegue R$ 2.000. Como a conta não fecha, você precisa de outras fontes para complementar seus ganhos.
Nessa hora você precisar identificar habilidades que se transformem em lucro dentro do seu mercado. Aulas, consultorias, mentorias, produção musical, enfim, você está no mercado da música e precisa saber que suas habilidades com assuntos específicos nesse mercado podem ser convertidas em fontes de receita para serem ativadas em momentos de necessidade.
4) Vai deixar portas abertas no seu antigo emprego?
Ok, você está certo de que é a hora de sair do emprego. Tudo conspira a favor. Mas, sua saída está sendo numa boa? Você está deixando as portas abertas ou simplesmente deu uma “banana” pro seu chefe e o mandou pastar porque agora finalmente abandonou o emprego chato que você tinha?
Deixe as portas abertas. Seu antigo patrão pode ser, quem sabe, um futuro sócio, um contato na indústria da música, um fã e na pior das hipóteses, o cara que abrirá novamente as portas pra você caso sua empreitada não dê certo.
O mundo profissional é pequeno.

