Por que playlists feitas por fãs e artistas estão superando as editoriais?

Escrito por Vinicius Soares

O novo papel da curadoria afetiva na retenção de ouvintes e no crescimento orgânico no streaming

Durante anos, entrar em uma playlist editorial era considerado o ápice do marketing musical no streaming.

Mas os dados mais recentes mostram que não é só o prestígio que sustenta uma carreira digitalmente — é a conexão.

E é exatamente por isso que as playlists feitas por fãs ou pelos próprios artistas estão ganhando cada vez mais relevância.

Segundo um estudo recente da Chartmetric (2025), essas playlists geram maior tempo médio de escuta por usuário e menor taxa de skip do que muitas listas editoriais de tamanho similar.

O que isso nos diz?

Que o ouvinte atual não busca apenas variedade. Ele busca identidade, coerência e verdade na curadoria musical.


O que os dados mostram

A Spotify for Artists já aponta que os principais sinais observados pelo algoritmo para impulsionar uma faixa são:

  • Tempo médio de escuta
  • Número de salvamentos
  • Replays e recorrência de ouvintes

E playlists feitas por quem realmente ama música — fãs ou artistas — tendem a entregar esses sinais com mais consistência.
Porque não são construídas para agradar o algoritmo, mas para agradar pessoas.

Essa é a chave: humanidade na curadoria.


Quando a playlist vira extensão da identidade artística

Artistas que criam suas próprias playlists com visão, intenção estética e coerência sonora estão construindo algo mais valioso que alcance momentâneo: um ponto de contato emocional contínuo com o público.

Vamos à prática, com um exemplo de artista que trabalha conosco aqui na Palco Digital (há pouquíssimo tempo):

Criamos para o Leonel a playlist “Café com Pop & Bossa”.

Mais do que uma seleção musical, essa playlist é uma prolongação do estilo de vida que ele comunica nas redes — onde aparece sempre ouvindo música com um café na mão, falando de poesia, calmaria e introspecção.

Seu público reconhece isso. E reage a isso.

A consequência?

A própria playlist se tornou um canal de descoberta e retenção de ouvintes para sua obra.

Na estreia do single “Motel Barato”, a canção foi adicionada a 51 playlists.
A que mais gerou streams? A dele mesmo: “Café com Pop & Bossa”, com 2.179 plays — superando até playlists feitas pelo Spotify e listas editoriais.

Essa não é uma exceção. É uma tendência.


O que torna uma fan playlist tão poderosa?

  • Curadoria afetiva — é feita com amor, gosto pessoal, intenção estética.
  • Narrativa sonora — ela conta uma história. Tem começo, meio e fim.
  • Estética própria — nome, capa, descrição, ordem das faixas. Tudo transmite uma ideia.
  • Comunidade invisível — quem ouve sente que pertence a algo. Isso aumenta a lealdade e o retorno.

Mais do que uma ferramenta de tráfego, a playlist se torna um ativo de marca artística.


O que você pode fazer com isso agora?

  • Crie uma playlist sua com identidade. Pense nela como um “EP infinito”.
  • Atualize com frequência e compartilhe como parte da sua narrativa.
  • Incentive seus ouvintes a criarem suas próprias playlists com suas músicas. Reposte, comente, retribua.

Playlists assim não nascem para “viralizar”. Elas nascem para ficar.
E isso, no mundo atual da música digital, vale mais do que qualquer pico de plays passageiro.


Em resumo

A lógica da performance no streaming está mudando.
Menos hype, mais vínculo.
Menos fórmula, mais afeto.

A curadoria virou parte do ofício artístico.
E quem entende isso cedo, sai na frente.


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Não é fórmula mágica. É método.

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Fontes citadas:
📊 Chartmetric – Fan Curation Behavior Analysis (2025)
📈 Spotify for Artists – Streaming Behavior Report (2024)
📚 MIDiA Research – Discovery & Creator Tools Study (2025)

Sobre o autor

Vinicius Soares

Vinicius Soares é músico, compositor e empreendedor. Está à frente da Palco Digital, agência de consultoria para músicos independentes e realiza palestras pelo Brasil com foco em planejamento de carreira musical.

Ganhou o Prêmio Profissionais da Música, um dos maiores reconhecimentos da categoria e mantém uma comunidade online com mais de 50.000 músicos brasileiros e estrangeiros.

Uma de suas principais atividades é compartilhar conhecimento e experiência sobre geração de receita no mercado musical através das novas tecnologias, tema que já ajudou diretamente mais de 2.000 músicos e compositores através de seus treinamentos on line.

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