É comum observarmos músicos talentosos que não despertam o interesse do público, apesar do merecimento. Por que existem tantas bandas talentosas, tantos artistas que, em um contexto geral, não conseguem se conectar com um público ?
A internet potencializou a necessidade humana de consumir produtos não apenas pela necessidade, mas, pelo que julgamos ter “a nossa cara”, conjugar nossos pensamentos e ideais.
É importante que nos vejamos naquilo que estamos consumindo.
Com a música não é diferente e ter um conceito definido é o passaporte pra se conseguir isso.
O que é conceito artístico?
O assunto é profundo, mas, trocando em miúdos, um conceito representa uma realidade. Letra, música, visual, tudo isso junto transmite uma ideia que se mostrada à audiência certa, gera atração. Por que o Grunge foi mais do que um estilo musical? Porque trazia no visual, letras e postura das bandas, uma ruptura com o que estava sendo consumido na época aliado a um resgate do pós-punk dos anos 80. Um ar pessimista, descontente e ao mesmo tempo vibrante que a juventude já cultivava.
O conceito, apesar de não ter sido planejado, estava ali. O conjunto desses elementos, em unidade, falava com uma audiência sedenta por representação. Em uma entrevista para a BBC em 1996, quando perguntado sobre o “movimento grunge”, Chris Cornell do Soungarden disse: “Era como se as pessoas que nos viam, estivessem na verdade se olhando no espelho, mesmo sem termos planejado isso.”
Seja o porta voz de uma audiência
Renato Russo dizia: “Quando as pessoas cantam as músicas da Legião Urbana, aquelas palavras passam a ser delas. Nós somos apenas um instrumento“.
O artista é um cronista da vida real, pelo menos deveria. Por mais compromissado em relatar o que vive, pensa, sente, vale à pena analisar se a comunicação artística está sendo feita da melhor forma. Não adianta ser um exímio compositor se você não consegue expor esse material da maneira certa para o público certo.
A Legião de 1983 tinha um negro, um ruivo, um descendente de italianos e o sobrinho neto de Heitor Villa-Lobos. Duvido existir uma representação mais brasileira do que essa capaz de “vender” o rock para a grande massa.
A internet exige estudo do seu público
Com a internet, conhecemos a Cauda Longa. A oferta de conteúdos, a disposição de tantos “produtos” em prateleiras infinitas criou os nichos. Cada nicho possui um tipo de comportamento e visão de mundo totalmente oposta a outro e isso é maravilhoso!
Quando, por exemplo, você veria uma banda independente como a Texas Hammer (que fez o meu curso Palco Digital) ser um sucesso de crítica e público na música country da América Latina?
Um grupo que não possui gravadoras, empresários, gere sua carreira com uma estrutura familiar e que esse ano esteve na Argentina e Perú pela terceira vez.
Busque sua identidade
Referências são importantes na construção de um conceito, mas, seu DNA precisa estar no centro. Não adianta alterar visual, música e o que mais você achar importante apenas porque viu essa lacuna no mercado. A verdade mantém um público na primeira fila do show. A mentira pode atrair, mas, o leva embora com a mesma rapidez.
Conjugue seus pensamentos, sentimentos, aspirações, visões, com o que o seu público cultiva.
Pessoas não escutam apenas uma música hoje. Elas se enxergam no que estão ouvindo e vendo, de alguma forma.
Pense nisso.
Se você quiser se aprofundar nesse conteúdo, conheça o Palco Digital 4.0


Texas Hammer sao grandes amigos meus! Dividir o palco com eles é sempre um grande privilégio 🙂
Boa dica mestre. Fez bem em lembrar do pós punk, tá na hora de inovar o cenário musical brasileiro.
Muito útil para todos nós.
Obrigado pela boa dica.
Sucesso!
Um forte abraço.
Juscelino Olyveira